{"id":230,"date":"2021-02-18T13:02:08","date_gmt":"2021-02-18T16:02:08","guid":{"rendered":"http:\/\/folhaminasgerais.com.br\/?p=230"},"modified":"2021-02-18T13:16:52","modified_gmt":"2021-02-18T16:16:52","slug":"nao-somos-bilingues-e-dai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/folhaminasgerais.com.br\/index.php\/2021\/02\/18\/nao-somos-bilingues-e-dai\/","title":{"rendered":"N\u00e3o somos bil\u00edngues, e da\u00ed?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Foto:\u00a0Divulga\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Roberta Maldonado, mestre em ensino de ingl\u00eas pela Universidade de Londres<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><span class=\"dropcap dropcap1\">O<\/span> <\/strong>Brasil \u00e9 um dos poucos pa\u00edses do mundo cuja maior parte da popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 fala uma l\u00edngua. J\u00e1 no resto no mundo, bilinguismo \u00e9 regra. Ou a crian\u00e7a aprende um dialeto com os av\u00f3s, ou aprende na escola outra l\u00edngua. Mas, pasme, falar uma s\u00f3 l\u00edngua \u00e9 exce\u00e7\u00e3o! A maioria das pessoas do mundo \u00e9 bilingue. Estima-se que 43% da popula\u00e7\u00e3o mundial seja bil\u00edngue enquanto menos de 40% fala uma s\u00f3 l\u00edngua.<\/p>\n<p>O Brasil tamb\u00e9m tem um dos n\u00fameros mais baixos do mundo de pessoas que podem se comunicar em ingl\u00eas. Segundo o British Council, s\u00f3 5% da popula\u00e7\u00e3o consegue se comunicar e s\u00f3 1% \u00e9 fluente. Em um estudo divulgado em 2017 realizado pela empresa especializada em ensino de idiomas EF Education First, o Brasil ficou em 41\u00ba colocado no ranking de profici\u00eancia em ingl\u00eas. Foram 80 pa\u00edses analisados, e ficamos abaixo do Equador, Chile, Peru, M\u00e9xico, Turquia, Indon\u00e9sia, e Vietn\u00e3, dentre muitos outros.<\/p>\n<p>O que estamos perdendo com isso? Indiferente \u00e0 idade e circunst\u00e2ncia, qualquer pessoa pode se tornar proficiente em uma segunda l\u00edngua, independente de apresentar ou n\u00e3o um sotaque. Bil\u00edngue \u00e9 quem se vira na segunda l\u00edngua nas situa\u00e7\u00f5es nas quais precisa se virar. Uma pessoa n\u00e3o precisa ser capaz de ler e escrever na segunda l\u00edngua para ser considerada bil\u00edngue, por exemplo.<\/p>\n<p>E quais as vantagens de ser bil\u00edngue? A partir da hora que ela tem duas l\u00ednguas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, tanto para pensar, quanto para falar, a pessoa bil\u00edngue precisa fazer escolhas constantes: usar esta estrutura ou aquela naquela outra l\u00edngua? E \u00e9 essa \u201cmuscula\u00e7\u00e3o\u201d constante que faz o c\u00e9rebro ficar mais apto. Mas isso \u00e9 comprovado cientificamente? Pesquisadores encontraram diferen\u00e7as de peso, aspecto e de funcionamento entre c\u00e9rebros de monol\u00edngues e c\u00e9rebros de bil\u00edngues em repetidos experimentos e j\u00e1 s\u00e3o dezenas de artigos cient\u00edficos reiterando esta diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>De acordo com esses estudos, tudo indica que pessoas que falam mais de uma l\u00edngua, desenvolvem melhor as suas habilidades multitarefa, tem melhor mem\u00f3ria, tomam decis\u00f5es mais rapidamente e tem uma capacidade de observa\u00e7\u00e3o mais agu\u00e7ada. E, como se n\u00e3o bastasse, de acordo com estudo de 2013, quem fala duas l\u00ednguas tem um c\u00e9rebro saud\u00e1vel por mais tempo. Este estudo foi realizado pelo doutor James Mortimer, da Universidade do Sul da Florida, nos Estados Unidos e concluiu que falar uma segunda l\u00edngua aumenta em at\u00e9 quatro anos e meio o tempo de c\u00e9rebro sem dem\u00eancia, incluindo Alzheimer.<\/p>\n<p>Para adultos que s\u00f3 falam uma l\u00edngua, a idade m\u00e9dia para os primeiros sinais de dem\u00eancia come\u00e7arem a se manifestar \u00e9 71. Entre adultos que falam duas ou mais l\u00ednguas, os sintomas s\u00f3 come\u00e7am, em m\u00e9dia, aos 75,5. A pesquisa tamb\u00e9m considerou fatores como escolaridade, n\u00edvel de renda, sexo e sa\u00fade f\u00edsica, mas esses aspectos n\u00e3o alteraram os resultados. O determinante a\u00ed foi a segunda \u00b4l\u00edngua. E n\u00e3o importa em que idade a pessoa tenha aprendido a segunda l\u00edngua.<\/p>\n<p>Uma diferen\u00e7a significativa na idade de in\u00edcio foi encontrada na incid\u00eancia da doen\u00e7a de Alzheimer, bem como dem\u00eancia senil e dem\u00eancia causada por acidente vascular, e tamb\u00e9m foi observada em pacientes analfabetos. N\u00e3o houve benef\u00edcio adicional em falar mais de dois idiomas. O efeito bil\u00edngue na idade de in\u00edcio da dem\u00eancia foi demonstrado independentemente de outros fatores. Este \u00e9 o maior estudo at\u00e9 o momento documentando o in\u00edcio tardio da dem\u00eancia em pacientes bil\u00edngues e o primeiro a mostr\u00e1-lo separadamente em diferentes subtipos de dem\u00eancia. \u00c9 o primeiro estudo que relata uma vantagem bil\u00edngue entre os analfabetos, sugerindo que, mesmo sem escrita e leitura, a segunda l\u00edngua afeta positivamente o c\u00e9rebro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto:\u00a0Divulga\u00e7\u00e3o. Roberta Maldonado, mestre em ensino de ingl\u00eas pela Universidade de Londres O Brasil \u00e9 um dos poucos pa\u00edses do mundo cuja maior parte da popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 fala uma l\u00edngua. J\u00e1 no resto no mundo, bilinguismo \u00e9 regra. Ou a crian\u00e7a aprende um dialeto com os av\u00f3s, ou aprende na escola outra l\u00edngua. 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